terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Stock Car Brasil

A Stock Car Brasil (Campeonato Brasileiro de Stock Car) é uma modalidade de automobilismo do Brasil.

Foi criada em 1979 para ser uma alternativa à extinta Divisão 1 (D1), que corria com as marcas Chevrolet (Opala) e Ford (Maverick). Isso ocorreu porque a D1 vinha perdendo o interesse do público e dos patrocinadores por estar se tornando uma categoria monomarca devido à superioridade dos modelos Chevrolet. Para que isso não ocorresse, a General Motors criou uma nova categoria, que unisse desempenho e sofisticação. O nome foi um golpe de mestre: além de emular o nome da famosa categoria americana, desviava a atenção de que era uma monomarca, fato que foi comprovado na prática somente neste ano.

A sua primeira corrida foi realizada no Autódromo de Tarumã, no Rio Grande do Sul. A criação da categoria foi a melhor resposta a um antigo anseio de uma comunidade apaixonada por carros de corrida: uma categoria de Turismo que unisse, para os padrões da época, desempenho e sofisticação.

O regulamento foi criado para limitar os custos, procurando equilíbrio, sem comprometer as performances dignas das competições internacionais. A primeira prova contou com a presença de 19 carros, todos do modelo Opala com motores de seis cilindros de 4 100cm3. A pole position da estréia foi do carioca José Carlos Palhares, o Capeta. Ele fez o tempo de 1min23s00. A prova foi vencida por Affonso Giaffone.

Na época, o piloto retornava ao automobilismo brasileiro depois de uma passagem pela Fórmula 1, onde defendeu a equipe Copersucar-Fittipaldi. Ingo Hoffmann, doze vezes campeão da Stock, passou a dominar a categoria no final da década de oitenta, quando conquistou os títulos de 1989 a 1995.

Nestas temporadas aconteceu um sem número de ultrapassagens, grandes duelos e festas repletas de emoção. Nesses anos todos foram centenas de corridas pelos autódromos do Brasil. Em 1982 duas provas foram realizadas no Autódromo de Estoril, em Portugal.

Em 1987 ocorreu a primeira grande mudança da Stock Car. Com a mudança de apoio da GM na organização, foi adotado uma carenagem, criada e montada pela fabricante de carrocerias de ônibus Caio, que era inserida em cima do chassi do Opala. O carro ganhava na aerodinâmica e no desempenho, ficando muito parecido com um protótipo, mas sem a marca da GM. Os equipamentos de segurança ficam mais sofisticados.

A GM volta a investir pesado na categoria em 1990, voltando a organizar e passando a construir em sua fabrica um protótipo monobloco.

Sem grande apelo do publico e perdendo espaço para categorias mais baratas bancadas por outras montadoras, a categoria passa por nova transformação em 1994, quando é adotado como veiculo o Omega de rua adaptado para competição. Numa estratégia de marketing e para diminuição de custos, as corridas passam a ser realizadas em rodadas duplas com a Formula Chevrolet, num evento chamado Chevrolet Challenger, cujos ingressos eram gratuitos e distribuídos nas concessionárias de veículos da marca.

A partir de 2000 a General Motors deixa de organizar a competição em definitivo, que passa a ser realizada pela empresa Vicar, de propriedade do ex-piloto Carlos Col, que também gerencia a Formula 3. Para modernizar a competição e melhorar a segurança dos pilotos, a Stock Car passa a utilizar um chassi tubular. O projeto é do engenheiro argentino Edgardo Fernandez, que faz algo parecido para a categoria argentina Top Race V6, inspirado tanto na Nascar norte-americana quanto no DTM alemão. O chassi, fabricado na ZF, empresa do ex-piloto Zeca Giaffone, pode receber a carenagem de qualquer carro sedan.

Desde 2003 deixou de ser usado na categoria o motor de 6 cilindros Chevrolet, usado com modificações desde o inicio da Stock Car em 1979, sendo trocado pelo motor V8 Chevrolet 350 importado dos EUA pela ZF, similar ao utilizado na Busch Series da Nascar, iguais e limitados a 450 HP. Assim, a montadora GM passa a ser patrocinadora da categoria, fornecendo a carenagem do sedan Vectra, abrindo espaço para que outras montadoras pudessem ingressar na categoria com investimentos baixos.

A temporada de 2005 também entrou para a história da Stock Car. Além de a categoria ter se tornado multimarca - pela primeira vez os Mitsubishi Lancer correram ao lado dos Chevrolet Astra , no dia 30 de outubro 40 carros da Stock Car V8 realizaram uma inédita corrida fora do Brasil valendo pontos para o campeonato. Foi uma rodada ao lado da TC 2000, a principal categoria da Argentina e que no mês de julho tinha corrido em Curitiba (Autódromo Internacional de Curitiba). O Autódromo Oscar Gálvez recebeu um público de 70 mil pessoas. Giuliano Losacco foi o vencedor da prova com Mateus Greipel em segundo e Luciano Burti em terceiro lugar.

O ano de 2006 teve mais novidades. Além de a corrida da Argentina ter sido mantida no calendário, a Stock Car V8 recebeu a terceira marca. O Volkswagen Bora passou a ser a carenagem de dez carros da principal categoria do automobilismo da América Latina. As equipes foram liberadas para a utilização do uso da telemetria, que permite um maior controle das equipes sobre o comportamento do carro.

Para 2007 a competição conta com a participação da quarta montadora, a Peugeot, que utiliza a carenagem do 307 Sedan inicialmente em oito carros e, posteriormente, em dez. O objetivo é que a categoria tenha 10 carros de cada uma das quatro marcas.

Tragédias na Stock Car

A Stock teve apenas quatro acidentes fatais.

1985

  • Zeca Gregoricinski ficou preso nas ferragens depois de uma batida em Interlagos, São Paulo. O carro pegou fogo e o piloto não conseguiu sair.

2001

  • O goiano Laércio Justino perdeu o controle do carro e depois de uma série de batidas colidiu contra um guincho, no Autódromo Internacional de Brasília.

2003

  • O estudante de fotografia Rafael Lima Pereira estava fora da área de segurança do Autódromo de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e foi atropelado pelo carro de Gualter Salles.

2007

  • Durante a última corrida da etapa de 2007 da Stock Car Light, categoria de acesso à Stock Car, o piloto paranaense Rafael Sperafico perdeu o controle do carro e bateu na proteção de pneus. Voltou para a pista e foi atingido na lateral pelo piloto Renato Russo. Rafael teve morte instantânea por traumatismo craniano.

Campeões

Ano Campeão Equipe Carro
1979 São Paulo Paulo Gomes
Chevrolet Opala
1980 São Paulo Ingo Hoffmann
Chevrolet Opala
1981 São Paulo Afonso Giaffone
Chevrolet Opala
1982 Goiás Alencar Jr.
Chevrolet Opala
1983 São Paulo Paulo Gomes
Chevrolet Opala
1984 São Paulo Paulo Gomes
Chevrolet Opala
1985 São Paulo Ingo Hoffmann
Chevrolet Opala
1986 Goiás Marcos Garcia
Chevrolet Opala
1987 São Paulo Zeca Giaffone
Chevrolet Opala
1988 São Paulo Fábio Sotto Mayor
Chevrolet Opala
1989 São Paulo Ingo Hoffmann
Chevrolet Opala
1990 São Paulo Ingo Hoffmann
Chevrolet Opala
1991 São Paulo Ingo Hoffmann / Ângelo Giombelli
Chevrolet Opala
1992 São Paulo Ingo Hoffmann / Ângelo Giombelli
Chevrolet Opala
1993 São Paulo Ingo Hoffmann / Ângelo Giombelli
Chevrolet Opala
1994 São Paulo Ingo Hoffmann
Chevrolet Ômega
1995 São Paulo Paulo Gomes
Chevrolet Ômega
1996 São Paulo Ingo Hoffmann
Chevrolet Ômega
1997 São Paulo Ingo Hoffmann
Chevrolet Ômega
1998 São Paulo Ingo Hoffmann
Chevrolet Ômega
1999 São Paulo Chico Serra WB Motorsports Chevrolet Ômega
2000 São Paulo Chico Serra WB Motorsports Chevrolet Vectra
2001 São Paulo Chico Serra WB Motorsports Chevrolet Vectra
2002 São Paulo Ingo Hoffmann JF Racing Chevrolet Vectra
2003 David Muffato Boettger Chevrolet Vectra
2004 São Paulo Giuliano Losacco RC Competições Chevrolet Astra
2005 São Paulo Giuliano Losacco Andreas Mattheis Chevrolet Astra
2006 Rio de Janeiro Cacá Bueno RC Competições Mitsubishi Lancer
2007 Rio de Janeiro Cacá Bueno RC Competições Mitsubishi Lancer
2008 São Paulo Ricardo Maurício WA Mattheis Peugeot 307

Video Sobre o Carro de 2009 da Stock Car Brasil


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